Este livro reúne seis ensaios dedicados a dramaturgos e obras da esfera neorrealista portuguesa. Estes ensaios consistem na transposição para texto, com enquadramentos aprofundados, das seis lições que compuseram o curso “Dramaturgia neorrealista: seis dramaturgos – seis peças”, integrado na programação da exposição Espelhos de ver por dentro: o teatro no neorrealismo português, patente no Museu do Neo-Realismo entre 29 de novembro de 2025 e 26 de abril de 2026, com curadoria de Miguel Falcão, direção de arte de Artur Pinheiro e design gráfico de Inês Ferreira.
Para este livro, na sequência da estrutura concebida inicialmente para o curso, foram escolhidos seis dramaturgos que, embora situados na mundividência marxista, estabeleceram relações diferentes com o neorrealismo português. Alves Redol, Avelino Cunhal e Romeu Correia foram sendo considerados unanimemente pela crítica como alguns dos mais representativos dramaturgos neorrealistas. Luiz Francisco Rebello, Luís de Sttau Monteiro e Bernardo Santareno estabeleceram aproximações temáticas e formais ao neorrealismo em diferentes fases dos seus percursos como dramaturgos.
Os seis estudos, cada um constituindo um capítulo, são ordenados cronologicamente tendo em conta a data da primeira apresentação pública – através de publicação ou de espetáculo– das peças em destaque.
O movimento neorrealista português afirmou-se em Portugal durante o Estado Novo como reação cultural e ideológica ao regime salazarista, tendo em conta os pontos de vista de uma “geração” que, embora geograficamente dispersa, se aproximava e reconhecia na mundividência marxista.
Algumas leituras, talvez lineares, deste movimento têm-se limitado a enfatizar, por um lado, a oposição – mais aparente do que efetiva – entre os neorrealistas e o grupo da Presença, tendoem conta os debates estéticos que protagonizaram sobre binómios como arte útil/arte social, e, por outro lado, a ideia de que o neorrealismo português seria uma reprodução do realismosocialista. Todavia, também na área do teatro, o contacto desde cedo com modelos europeus, em parte proporcionado pela Presença, criou nos neorrealistas a permeabilidade a diversificadaspossibilidades formais e uma resistência natural aos rigores da estética soviética.
O neorrealismo português, em geral, e o teatro produzido no seu âmbito, em particular, continuam a carecer de mais, e mais aprofundada, investigação. Esta obra é, nesse sentido, um novo contributo. Alguns consideram a dramaturgia neorrealista “datada”. Outros veem-na estigmatizada, pela matriz ideológica a que está vinculada. Aos investigadores cumpre a tarefa do seu estudo e da sua divulgação. Aos criadores artísticos de cada época caberá a responsabilidade de procurarem, nos (/para os) textos, os sinais e os processos que os façam fluir ao ritmo do seu tempo.
| ISBN | 9789895910472 |
|---|---|
| Ano | 2026 |
| Número de páginas | 189 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Âncora Editora |
| Coleção | Estudos e Documentos |
| Categorias |
Livros > Artes > Teatro
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