Quando, em Setembro de 1871, Arthur Rimbaud bateu à porta de Paul Verlaine, não imaginava a vertigem de poesia, boémia e absinto em que mergulhariam juntos.
Uma coisa é certa: com o absinto e com Verlaine, a poesia de Rimbaud mudou. Há um Rimbaud pré‑Verlaine, até «Le Bateau ivre», e há o Rimbaud de que este livro é exemplo, introspectivo e existencial, subversivo na forma e na sua quase sempre esplêndida opacidade. Podemos fugir com Rimbaud, que se foi esconder no deserto africano, mas, ao lermos Uma Temporada no Inferno, a miragem da explicação autobiográfica torna-se obsidiante: como escapar à tentação de ver na «Virgem louca» a silhueta de Verlaine? Como escapar a ver nos demónios, satanás, infernos de cada verso, o turbilhão de alucinações que assombrou e aterrou o ainda tão novo Rimbaud, a sua tendresse de apenas 18 anos? Como não ver que, nos versos deste Inferno, se transfiguram as nuvens de loucura, de convulsão que, de Maio de 1872 a Julho de 1873, geraram uma tempestade extrema no íntimo da criança perdida em Londres?
Este «livro negro», como Rimbaud o designou numa carta para Ernest Delahaye, é agora publicado em versão bilingue, com uma nova tradução para português.
| ISBN | 9789897028588 |
|---|---|
| Ano | 2022 |
| Número de páginas | 128 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Guerra & Paz |
| Categorias |
Livros > Literatura > Poesia
Jean-Arthur Rimbaud
De seu nome completo, Jean-Nicolas-Arthur Rimbaud foi um poeta francês nascido a 20 de outubro de 1854 em Charleville, nas Ardenas. Frequentando a escola de província até aos quinze anos de idade, Rimbaud mostrou-se um aluno de capacidades excecionais mas indomáveis. Partindo sozinho, conseguiu chegar à Bélgica aos dezasseis, o que lhe valeu escolta policial até casa. Publicou nesse ano de 1870 o seu primeiro poema e, no seguinte, conhecendo Verlaine, desencaminhou-o para juntos chegarem a Londres e dar início a uma vida de álcool e ópio. Sumo viajante, deambulou mundo fora, aprendeu diversos idiomas e teve ofícios dos mais variados para sobreviver, como o tráfico de armas na Abissínia. Em fevereiro de 1891, em Marselha, começou a sentir fortes dores no joelho esquerdo. Foi-lhe diagnosticado um cancro e a perna teve de ser amputada. Após um período de alucinações e transes, Rimbaud acabou por falecer em Marselha a 10 de novembro de 1891. |


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