Os SILENCIADOS CONTAM a história dos que ficaram sem nome. Através da voz de Mofino – memória viva dos vencidos – e da presença dos Deuses africanos que atravessaram o oceano com os seus povos. Esta epopeia transforma lugares, corpos e feridas em palavras. Não exige aplauso, mas escuta. Não procura consolo, mas justiça. Não é um fim, mas um começo: o da memória verdadeira, africana e digna. Que este canto seja um ato de reparação. Que quem leia, também recorde.
Ninguém nasce escravo.
Há mundos que fabricam a queda.
***
Orlando Piedade (…) ao deslocar o centro tradicional da epopeia (reis, navegadores e conquistas imperiais) para os corpos escravizados, os bairros negros, as irmandades africanas e os sujeitos anónimos excluídos da narrativa oficial portuguesa:
“Não canto reis, nem cruzes de vitórias,
mas grilhetas, batuques, dor calada;
não louvo glória escrita em feitos falsos,
mas sangue em pedra, em praça enforcada.” (I, 2)
simultaneamente, constrói uma cartografia memorial do Portugal negreiro (Lagos) e da Lisboa negra, evocando lugares como o Mocambo, o Poço dos Negros, Alfama, Mouraria e São Domingos, transformando-os em arquivos vivos da presença africana e da resistência cultural.
[INOCÊNCIA MATA]| ISBN | 9789895666416 |
|---|---|
| Ano | 2026 |
| Número de páginas | 74 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Colibri |
| Categorias |
Livros > Literatura > Poesia
Orlando Piedade
Orlando da Glória Silva Piedade nasceu em São Tomé, em 1974. É Mestre em Engenharia Informática pelo ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa e Licencia-do em Informática de Gestão pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. Desenvolve a sua atividade profissional na área de Business Intelligence, onde conjuga análise, estrutura e pensamento estratégico. Em literatura, dedica-se ao romance histórico, explorando episódios silenciados ou marginais da história portuguesa. Estreou-se em 2011 com O Amor Proibido (Edições Colibri), obra centrada na colonização de São Tomé e Príncipe. Seguiu-se Os Meninos Judeus Desterrados (2014, Edições Colibri), romance distinguido com o Prémio Literário Francisco José Tenreiro 2015, que recria a deportação de cerca de duas mil crianças judias para as ilhas em 1493. Em 2018, publicou Escravos e Homens Livres, o seu terceiro romance, uma obra de inspiração histórica centrada na vida dos africanos em Lisboa após a abolição da escravatura, decretada pelo Marquês de Pombal em 1773, onde se revelam as contradições sociais e humanas do império português no período pós-esclavagista. Em 2026, venceu a 1.a edição do Prémio Literário INCM – Almada Negreiros, distinção atribuída pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda, reforçando o reconhecimento da sua obra no panorama literário contemporâneo. |


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