Por Vezes é Preciso Trair, de Kamel Daoud, é o potente grito de um ser humano que, nascido argelino e tendo na sua juventude militado no movimento islâmico, é hoje, devido às suas posições anti-identitárias, acusado de apóstata e inimigo do Islão, e objecto de uma fatwa que exige a sua morte.
Daoud defende a liberdade, não sente culpa e clama de uma vez por todas pela superação do dolorismo pós-colonial. Para Daoud, existe apenas uma regra: não hesitar em trair o nós, ter a coragem de romper com o rebanho. Daoud deu esse passo e quer ser universal, mantendo-se árabe e francófono.
Hoje, na Argélia, a identidade árabe é brandida como uma inquisição que exclui a diversidade e o mundo, e o mesmo se passa em muitas ex-colónias. Para Daoud, que deixou Orão e a Argélia em 2023, «o mar ou o deserto escaldante conferem à história um sentido mais vasto do que o nacionalismo».
Neste livro, a traição é sinónimo de libertação contra a imobilidade das certezas colectivas; e o epíteto de traidor torna-se num estandarte, numa atitude filosófica e existencial.
| ISBN | 9789895764044 |
|---|---|
| Ano | 2026 |
| Número de páginas | 78 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Guerra & Paz |
| Categorias |
Livros > Ciências Sociais e Humanas > Sociologia > Ciências Sociais
Kamel Daoud
Kamel Daoud nasceu em 1970 em Mesra, na Argélia. Escritor e jornalista, é autor, entre outors, do romance Meursault, contra-investigação e de Huris, o primeiro livro de um autor argelino a ser distinguido com o Prémio Goncourt. Durante 12 anos, assinou a crónica mais lida do seu país, no Qoutidien d’Oran. Pela sua posição crítica em relação ao fanatismo religioso, que considera um obstáculo para a Argélia e um inimigo da liberdade intelectual e de expressão, foi alvo de uma fatwa em 2014. Perseguido politicamente, vive, desde então, em Paris, enquanto vê o seu último romance, Huris, ser proibido no país onde nasceu. |


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