E a guerra colonial acabou? Não. Não acabou. Toda a guerra depois de finda ainda viveem nós. Uma guerra não acaba enquanto houver um último sobrevivente e enquanto osfamiliares ou amigos, que sofreram danos colaterais tiverem memória. A absurdez eperversidade da guerra colonial marcaram a saúde, a personalidade e a carreira doautor, assim como o seu estilo de escrever. Aqui são retratadas as vivências de ummiliciano, em jeito de alter ego, forçado a entrar numa guerra de causas e motivaçõesalheias, em condições muito adversas. Uma guerra sem fundamento, sem preparação esem solução. Uma guerra para onde foram lançados, à sua sorte e ao seu primáriosentido de sobrevivência, milhares de portugueses subtraídos do seu ambiente,esbulhados da normal alegria da juventude. Os traumas adquiridos para a vida toda,incluindo a “culpa do sobrevivente”, refletem-se, de certo modo, em alguns relatos.Como bem disse o médico Gerhard Trabert: “Quem sobrevive sente-se culpado por ter
sobrevivido e os outros terem morrido”. Por ter, quiçá, matado para sobreviver. Numtempo em que outros Estados apontavam esforços ao desenvolvimento das suaspróprias metrópoles, visando maximizar o bem-estar dos seus povos, em Portugal, os“cabeças de ouro” massacravam e a dizimavam a juventude, amputando famílias etraumatizando gerações.
| ISBN | 9791220116732 |
|---|---|
| Ano | 2022 |
| Número de páginas | 202 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Europa Editora |
| Categorias |
Livros > Ciências Sociais e Humanas > História
Ireneu de Sousa Mac
Ireneu de Sousa Mac cresceu numa aldeia da Bairrada, onde nasceu em 1948. Concluída a escola primária, o autor começou a trabalhar naagricultura familiar. Aos 18 anos, pensando num futuro melhor, ingressou num colégio como aluno adulto externo. Em 2 anos, por método e força devontade, concluiu o 5º ano do liceu com reconhecido êxito. A dois meses do fim do curso (6º e 7º anos), com expetativas de sucesso, o autor foichamado para a guerra colonial, ficando impedido de concluir o seu projeto. Depois da guerra, trabalhou e estudou, obtendo um bacharelato. Com aexperiência como professor na escola regimental de Mansoa, na Guiné, da qual foi cofundador, e como voluntário na escola primária da aldeia napreparação para exames da 4ª classe, o autor dedicou-se ao ensino, com mochila de nómada às costas. Repartindo-se entre trabalho, família comdois filhos e viagens entre Viseu (onde vivia e lecionava de dia), Coimbra (onde estudava, à noite) e Algarve (onde se casara), concluiu, com sucessoe em tempo útil, a licenciatura em Controle de Gestão. Após uma concomitante experiência numa empresa privada, optou pela carreira docente noEnsino Secundário (com incursões na formação profissional privada e como formador de professores estagiários nas ESE de Viseu e Coimbra) e pela família.
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