Para além de um repositório de livros em curso e por vir (obras próprias e traduções), este Livro de Horas é também, mais do que muitos outros, um registo de memórias, em muitos momentos o balanço de toda uma vida desde a hora do nascimento, com destaque para os anos da infância e para o passado próximo da fase de Herbais, a última do exílio belga. Um fio de escrita múltiplo que é agora o de um dia-a-dia vivido e imaginado numa Sintra transfigurada em lugar de ambiências e vivências exteriores e interiores, com um nome próprio que transcende o da toponímia: «Parasceve», lugar de experiências únicas e de promessa, um verdadeiro Lugar vibrante que só a escrevente conhece e habita. E os dias passam-se entre a luz da casa («gruta» ou «caverna de escrita») e as deambulações por essa Sintra imaginada a contrapelo da vila real. O que emerge é o fulgor que há nas coisas para além da superfície do mundo, fonte de muita música do futuro. [João Barrento]
| ISBN | 9789723725100 |
|---|---|
| Ano | 2026 |
| Número de páginas | 456 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Assírio & Alvim |
| Categorias |
Livros > Literatura > Poesia
Maria Gabriela Llansol
Escritora portuguesa de ascendência espanhola, nascida no ano de 1931 em Lisboa. Licenciou-se em Direito e em Ciências Pedagógicas, tendo trabalhado em áreas relacionadas com problemas educacionais. Em 1965, abandonou Portugal para se fixar na Bélgica. Regressou há alguns anos a Portugal. Considerada uma autora cuja escrita é hermética e de difícil inteligibilidade para o leitor comum, é, no entanto, apontada por muitos como um dos nomes mais inovadores e importantes da ficção portuguesa contemporânea. A sua carreira literária iniciou-se com Os Pregos na Erva(1962), obra que inaugurou uma nova forma de escrever, embora estruturalmente se assemelhe a um livro de contos. Publicou de seguida Depois de os Pregos na Erva (1972), O Livro das Comunidades (1977), A Restante Vida (1983), Na Casa de Julho e Agosto (1984), Causa Amante (1984), Contos do Mal Errante (1986), Da Sebe ao Ser (1988), Um Beijo Dado Mais Tarde (1990), com evidentes ressonâncias autobiográficas,Lisboaleipzig 1: O Encontro Inesperado do Diverso(1994), Lisboaleipzig 2: O Ensaio de Música(1995), Ardente Texto Joshua (1998) e Onde Vais Drama Poesia?(2000). No caso de Maria Gabriela Llansol dificilmente se podem aplicar designações tradicionais como conto, romance ou mesmo diário. Apesar de se detetarem elementos tradicionais da narrativa, as suas obras, mais do que narrativas, são conjuntos de pequenos quadros e meditações. A ação localiza-se geralmente na Alemanha ou em regiões próximas, nos primórdios do Renascimento, num ambiente fantástico em que à volta de Copérnico, Isabol ou Hadewijch se movimentam personagens inspirados em pensadores místicos como San Juan de la Cruz e Eckhart e filósofos como Nietzsche e Espinosa. Os diários Um Falcão em Punho (1985), considerado o ponto de viragem no que toca à cada vez maior inteligibilidade da sua escrita, eFinita (1987), distinguem-se das obras ficcionais pela sua aparente ordenação cronológica e pelas reflexões sobre a conceção materialista em que se baseia a mística e a poética da autora. Um dos traços mais marcantes de toda a sua produção consiste na constante negação da escrita representativa, com inserção no texto de diferentes caracteres tipográficos, espaços em branco, traços que dividem o texto, perguntas de retórica, aspetos que contribuem para a sensação de estranheza que os seus textos provocam. Levando às últimas consequências a criação de um universo pessoal que desde os anos 60 não tem paralelo na literatura portuguesa, a obra de Maria Gabriela Llansol faz estilhaçar as fronteiras entre o que designamos por ficção, diário, poesia, ensaio, memórias, etc. |


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