Ode a uma árvore // Árvore, minha irmã na natureza, / De ti recebo seiva, sombra e frutos./ E foi contigo que aprendi, também, / A amar a tua generosidade e beleza, / Com a ajuda e o saber da minha mãe. // Quando os meus olhos castanhos,/ Se deleitavam a contemplar, / Os teus braços, fortes e tamanhos, / Que dançam com o vento norte. / E acolhiam neles as avezinhas, / No jardim, na floresta, ou no deserto, / Para fazerem os ninhos, a céu aberto. // E foi com o balançar dos teus ramos, / E o som harmonioso da sua folhagem, / Que uma constante e suave aragem, / Fazia balançar, qual quimera, / Em calmas manhãs da Primavera, / Que eu imaginava cantares Gregorianos, / Numa catedral com mais de mil anos. // E também foste tu, querida árvore, / Que me ensinaste a crescer. / Quando convivíamos lado a lado, / E eras tão frágil quanto eu, / Há pouco tempo acabado de nascer. / Que se uma delicada borboleta, / Pousasse em ti, não a podias suportar, / Nos teus bracinhos, virados para o céu, / À espera da chuva e da luz solar. // Até que te tornaste um gigante, / Com tronco forte e braços enormes, / Capaz de enfrentar a todo o instante, / A fúria dos elementos e a incúria dos homens. / Por isso, vais durar mil anos e morrer de pé, / Mas se tal não acontecer, e algo te derrubar, / Podes crer que eu junto de ti, se cá estiver, / Com certeza que vou chorar.
| ISBN | 9789895660575 |
|---|---|
| Ano | 2021 |
| Número de páginas | 112 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Colibri |
| Categorias |
Livros > Literatura > Poesia
João de Deus Rodrigues
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