Se há momentos em que esta obra pode parecer uma coleção de impressões de alguém acerca de alguns filmes que gostou de ver, é porque se trata, também, disso mesmo. Na sua autobiografia, cujo título em língua portuguesa poderia ser «Mal Sabia Eu» («Little Did I Know», 2010), Stanley Cavell afirma que «a filosofia que tenha um certo tipo de ambição tende sempre a cruzar-se com o autobiográfico». Buscas da Felicidade é uma das obras em que o filósofo norte-americano faz cruzar essa busca individual com a consolidação dos estudos cinematográficos — os estudos acerca de filmes da cultura popular norte-americana — enquanto área plena do universo académico ocidental. São sete os filmes escolhidos, sete comédias de recasamento — o gesto da categorização integra a sua análise — que, da paixão que terão suscitado a Cavell e a um público não necessariamente especializado, passam a objeto do pensar filosófico, porque esse mesmo modo de pensar suscitam.
| ISBN | 9789898928443 |
|---|---|
| Ano | 2022 |
| Número de páginas | 376 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Imprensa da Universidade de Lisboa |
| Categorias |
Livros > Ciências Sociais e Humanas > Filosofia
Stanley Cavell
Stanley Cavell morreu em 2018, prestes a completar 92 anos de vida. Nesse denso intervalo de tempo, afirmou-se como um dos mais brilhantes filósofos dos EUA. Nascido em Atlanta, numa família de sensibilidades artísticas várias, viria a estudar música na Universidade da Califórnia, mas acabou por decidir que não estaria na área musical o futuro dos seus interesses, e por dedicar-se ao estudo e ao ensino da filosofia, nomeadamente na Universidade de Harvard. Leu com extraordinária finura autores que assume como os seus mais diretos antecessores: Thoreau, Emerson e Wittgenstein, J.L. Austin (com quem conviveu) e Heidegger, entre outros. O seu papel como exegeta dos modernos filósofos europeus e norte-americanos é tão relevante quanto aquele outro que o tornaria mais conhecido, o da autorização, ou legitimação, dos estudos de cinema no meio académico. Não menos significativo do que esse gesto de integração de objetos da cultura popular no âmbito do conhecimento universitário é o contributo de Stanley Cavell para um estilo filosófico conversacional que recupera algo do diálogo socrático.
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