Na verdade, com a representação do confronto entre Antígona e Creonte, a peça ia ao encontro das preocupações de uma democracia em construção e suscitava problemas prementes acerca da relação entre governantes e governados, acerca da relação entre a lei e a justiça e, portanto, acerca dos próprios fundamentos da pólis, isto é, da vida em sociedade.
[…]No imaginário do Ocidente, Antígona ficou para sempre como narrativa fundadora do despertar para uma certa consciência cívica e para a afirmação do indivíduo insubmisso perante a ameaça do poder autoritário e absoluto. E, no entanto, uma leitura atenta da tragédia mostra que a complexidade do que nela se joga — e quiçá a sua intemporalidade — tem que ver, antes de mais, com o facto de a oposição entre as duas principais figuras dramáticas não ser redutível a um debate de ideias, não ser tão-pouco redutível à esfera da ética ou da política. A marca trágica desse confronto insuperável tem raízes no ethos das personagens, isto é, no seu carácter, e numa demónica radicalização das suas vontades. É desta situação particular, na qual qualquer coisa de essencial acerca do humano se manifesta, que resulta a universalidade do drama sofocliano.
[Da Introdução de Marta Várzeas]| ISBN | 9789897835131 |
|---|---|
| Ano | 2024 |
| Número de páginas | 88 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Relógio d’ Água |
| Coleção | Humanitas |
| Categorias |
Livros > Artes > Teatro
Sófocles
Sófocles (cerca de 496 a. C. – 406 a. C.) nasceu e morreu na cidade de Colona Juntamente com Ésquilo e Eurípides, é um dos três grandes tragediógrafos da Antiguidade. Das 123 peças que terá escrito, chegaram-nos sete tragédias (uma delas incompleta), corpus que basta para o impor como um dos autores mais importantes e mais influentes da literatura de todos os tempos e em todos os géneros. |


Reviews
There are no reviews yet.