«Encontramos, sem dúvida, em A Tempestade algumas características do género literário utópico. A chegada à ilha dos novos habitantes é precedida por um naufrágio — artifício narrativo recorrente na literatura utópica — que evoca, a nível simbólico, o afundamento dos valores da sociedade real; a tempestade permite a ablução dos viajantes de uma vida regida por imagens falsas, sendo o processo de purificação completado pela acção do fogo que atinge a embarcação; e a ilha, a que é habitualmente associada a figura geométrica mais perfeita — o círculo, que não tem quaisquer arestas —, apresenta-se como um local de encontro com o Outro, privilegiado porque desconhecido e isolado do resto do mundo. Importará, contudo, analisar criticamente estas circunstâncias que aproximam A Tempestade da literatura utópica, e ter em conta pelo menos três aspectos essenciais. O primeiro prende-se com a comunidade (de três habitantes: Próspero, Miranda e Calibã) que vive na ilha e que se rege por valores iguais aos da sociedade real. Com efeito, mais do que a descoberta de formasalternativas — exequíveis ou não — de organização social — e que, como lembra Krishan Kumar, de nem o “modo utópico”—, o que ressalta da peça shakespeariana é a vontade de exploração de percursos humanos de arrependimento e de regeneração moral.»
| ISBN | 9789897832970 |
|---|---|
| Ano | 2023 |
| Número de páginas | 152 |
| Capa | Cartonada |
| Editora | Relógio d’ Água |
| Coleção | Projecto Shakespeare |
| Categorias |
Livros > Artes > Teatro
William Shakespeare
William Shakespeare (1564–1616), amplamente considerado uma das maiores figuras da literatura mundial, foi dramaturgo, poeta e ator. Nasceu em Stratford-upon-Avon e, ao longo da sua carreira, escreveu cerca de 39 peças de teatro, 154 sonetos e vários poemas narrativos. A sua obra abrange tragédias, comédias e dramas históricos, explorando temas universais como o amor, o poder, a ambição, o ciúme e a condição humana. Esteve ligado à companhia teatral Lord Chamberlain’s Men (mais tarde King’s Men) e teve um papel central no desenvolvimento do teatro elisabetano. A sua influência é tão decisiva como a de Homero, Dante ou Cervantes. |


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