Como se sabe, designavam-se na época por moderno e por ao romano aquilo que nós hoje chamamos de “gótico” e de “renascentista”, numa inversão dos respectivos sentidos históricos – o que hoje nos aparece como passadista sendo então visto como o mais aberto ao futuro, e vice- versa – que não tem suscitado a reflexão que a nosso ver merece. Esse aparente paradoxo põe, afinal, a nu o choque de concepções da História e de modelos de cultura que separava o mundo medieval do que dele nascia e reclamava a sua diferença, autodefinindo-se por essa mesma opo- sição (como mostrou Panofsky). Procuraremos, nas páginas que seguem, evitar na medida do possível o uso actual dos conceitos estilísticos subs- tituindo-os pelos seus equivalentes quinhentistas, que lhes restituem o campo semântico e o sabor originário que os envolviam.
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A tese doutoral do Professor Rafael Moreira defendida na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, em 1991, é, três décadas passadas, a referência bibliográfica mais citada na maioria dos estudos portugueses no domínio da Arte do Renascimento – “A luz pioneira que nos ilumina a todos”, di-lo com propriedade Susana Matos Abreu, e não pudemos deixar de estar mais de acordo.
Tardando a sua edição tipográfica, em boa hora as Edições Colibri, a nossa sugestão, fazem chegar finalmente ao grande público uma obra até aqui muito confinada ao meio académico e que por vontade expressa do autor se publica tal como foi redigida, entre janeiro e maio de 1991, com isso preservando a qualidade científica do texto original e o carácter fundador das suas proposições historiográficas.
FRANCISCO BILOU (Historiador de arte)
| ISBN | 9789895662791 |
|---|---|
| Ano | 2023 |
| Número de páginas | 420 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Colibri |
| Categorias |
Livros > Ciências Sociais e Humanas > História
Rafael de Faria Domingues Moreira
Rafael de F. D. Moreira nasceu na cidade do Porto (Cedofeita) e estudou em Lisboa e Rio de Janeiro, sendo luso-brasileiro de S. Luís do Maranhão. Fixado em Lisboa em 1956, aí se licenciou em História (Faculdade de Letras, 1974); é professor de História da Arte (especializado em Renascimento, Arquitectura Militar e Arte Colonial Portuguesa) na Universidade NOVA de Lisboa, onde fez Mestrado (1982) e Doutoramento (1991) orientado por André Chastel e Jean Guillaume. Com larga carreira internacional, está hoje reformado: mas mantém actividade na área participando em congressos em todo o mundo, dando palestras e cursos, orientando teses, e actuando como membro do Conselho Editorial da revista ‘Monumentos’ (DGPC). Autor de 5 livros e mais de 100 artigos em revistas nacionais e estrangeiras, aqui se publica a sua tese de Doutoramento, que marcou época na historiografia da Arte em Portugal. |


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