Num tempo em que a barbárie ressurge de rosto descoberto, se erguem muros contra o outro, deserdado da sua parte de humanidade, irá o medo ter tudo? Medo. Da palavra medo se povoa este livro. Começa no título, serpenteia pelos poemas. O medo que “fermenta o ódio/ que destilamos há séculos” junta-se ao outro medo: o que nos sitia, tapa-nos o rosto, impede a tangibilidade dos afetos. Irá o medo ter tudo?
Uma outra palavra, porém, oposta, inimiga, atravessa de igual modo a obra: liberdade. “O homem não existe sem liberdade’; diz o poema inaugural de Sob a Levedura do Medo. Quem é mais forte, quem irá vencer a guerra civilizacional do nosso rude tempo, veloz, tão veloz que é considerado desperdício, devaneio arcaico, pensarmos por nossa cabeça. Quem tem dúvidas, quem persevera voz própria, não pertence ao “rebanho’; na sociedade da “blasfémia da certeza’; abençoada por um “deus aético” que impõe o “pensamento dominante’!
Ricardo Guimarães, em Sob a Levedura do Medo – livro deveras incomum no panorama da poesia de hoje – denuncia e interroga. Não será esse, afinal, o verdadeiro papel da literatura?
FRANCISCO DUARTE MANGAS
*** O nevoeiro que hoje nos envolve***
o que mais me fascina
no nevoeiro que hoje nos envolve
é a certeza do sol
que a espaços desvenda
a beleza imaculada do mar
como deus em busca dos olhos
de uma mulher para amar
| ISBN | 9789895301300 |
|---|---|
| Ano | 2021 |
| Número de páginas | 52 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Modo de Ler |
| Categorias |
Livros > Literatura > Poesia
Ricardo Guimarães
Nasceu em Luanda em 1971. Viveu a infância em Guimarães e estudou na Universidade do Porto onde fez parte do Orfeão Universitário. Terminado o curso de Engenharia rumou de novo a Angola. A viver entre o Porto e Luanda há já longos anos. Escreve desde que se conhece. |


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