«Estamos neste momento, no ponto onde duasestradas divergem. Mas, ao contrário das estradasdo famoso poema de Robert Frost, estas não sãoigualmente justas. A que vimos percorrendo há muitoé enganadoramente fácil, uma imensa auto‑estradalisa, onde avançamos a grande velocidade, mas em cujofinal está o desastre. O outro braço da bifurcaçãoda estrada — a “menos percorrida” — oferece-nosa última, a única hipótese de chegarmos a um destinoque garanta a preservação da nossa Terra.»Rachel Carson descreveu assim a situação a quehavíamos chegado em 1962. Apesar do estilo poéticocaracterístico da autora, Primavera Silenciosa é umaobra crua na demonstração inabalável dos malefíciosda utilização de pesticidas químicos. A investigaçãopioneira de Carson provou que o uso em grande escalade DDT e outros pesticidas agrícolas era devastadorpara a fauna e a flora, e que havia uma relação diretaentre vários tipos de cancro nos seres humanose a exposição a estes químicos. A indústria químicanão estava disposta a perder a confiança do público,ou que a sua integridade fosse questionada, e a obrafoi alvo de violentos ataques críticos. A obra chegou à atenção do presidenteJohn F. Kennedy, que desencadeou inquéritos à escalafederal e estatal para comprovar as afirmações deCarson. Resultaram daí leis reguladoras do fabricoe da aplicação de pesticidas químicos.PrimaveraSilenciosa despertou também um movimento socialnovo de consciência ambiental. A cada leitura, a obracompele a uma reavaliação da relação entre serhumano e natureza, a um debate sobre comoatingir a justiça ambiental, e à reflexão acerca dainseparabilidade entre saúde pública e ambiente.
| ISBN | 9789898928399 |
|---|---|
| Ano | 2023 |
| Número de páginas | 316 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Imprensa da Universidade de Lisboa |
| Categorias |
Livros > Ciências > Tecnologia e Ciência em geral
Rachel Carson
Rachel Carson (1907–1964) foi bióloga marinha. O seu percurso começou no Colégio para Mulheres da Pennsylvania, onde a propensão para a literatura deu lugar a uma especialização em biologia. Como bolseira, estudou no Laboratório Biológico Woods Hole e na Universidade Johns Hopkins, onde completou o mestrado em zoologia em 1932. Sem meios económicos para continuar os estudos, trabalhou como assistente de laboratório na Escola de Saúde Pública, onde adquiriu conhecimentos de genética experimental. Ao escrever artigos jornalísticos sobre história natural percebeu que podia unir os seus dois interesses, a ciência e a escrita. Trabalhou a tempo parcial no Serviço Federal de Pescas de Baltimore, como escritora de guiões sobre a vida marinha para a rádio, enquanto, à noite, escrevia artigos em regime independente. Em 1937, tornou-se a segunda mulher a trabalhar no Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA. Pela sua aptidão literária, foi-lhe atribuída a revisão dos relatórios de campo, que usou para expandir e aprofundar o seu conhecimento de ciência, da natureza, e das políticas científicas. Em 1949, ocupava o cargo de editora-chefe das publicações do Serviço e era autora de um folhetim sobre o sistema de proteção da vida selvagem. No final da década de 1950, Carson era considerada a escritora científica mais respeitada da América. Recebeu várias distinções e prémios, entre os quais o Prémio Nacional do Livro; uma bolsa Guggenheim; o prémio de Conservacionista do Ano da Federação Nacional da Vida Selvagem; a medalha de ouro da Associação Zoológica de Nova Iorque. A título póstumo, foi-lhe atribuída a Medalha Presidencial da Liberdade. |


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