A ascensão do nazismo não teve nada de inevitável. Resultou, em vez disso, do desespero dos partidos do extremo-centro, que, devido à sua incompetência, se viram progressivamente afastados do poder e decidiram aliar-se à extrema-direita. – Qualquer semelhança com a atualidade é pura coincidência.
Um consórcio liberal-autoritário, formado por solidariedades empresariais, partidos conservadores (nacionalistas e liberais), meios de comunicação e elites administrativas, perde todo o apoio popular: com o avançar das eleições, passa de quase 50% para menos de 10% dos votos e questiona-se sobre como manter o poder sem maioria, sem parlamento, talvez sem democracia. Este extremo-centro considera-se, por natureza, destinado a governar: a sua política é a melhor e em breve dará frutos. Entretanto, é preciso aguentar: recorrendo aos poderes presidenciais, à violação da Constituição e à repressão. Num panorama parlamentar fragmentado em «três blocos», este extremo-centro só vê uma solução: perante uma revolta generalizada, o poder, que não se baseia em nenhuma base eleitoral, decide aliar-se à extrema-direita, com a qual partilha, no fundo, quase tudo.
| ISBN | 9789724429601 |
|---|---|
| Ano | 2026 |
| Número de páginas | 292 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Edições 70 |
| Coleção | Tempo das Ideias |
| Categorias |
Livros > Ciências Sociais e Humanas > História
Johann Chapoutot
Johann Chapoutot (Martigues, 1978) é professor de História Contemporânea na Universidade de Sorbonne e especialista em história da Alemanha e do nazismo. Construiu uma obra de referência sobre a cultura, a ideologia e as práticas do nacional-socialismo, explorando também suas ressonâncias no mundo contemporâneo. É autor de livros premiados e traduzidos em várias línguas. |


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