Entra!
E descobrirás que um jardim não é feito apenas de terra e semente, mas de camadas de tempo e de propósito. Aqui, o silêncio não é ausência de voz; é a maturação do entendimento.
Cada canteiro que encontrares – do lilás profundo da sabedoria ao verde resiliente da fortaleza – foi erguido sobre a premissa de que a alma é um território soberano, mas que exige lavoura. Não esperes encontrar aqui a passividade das flores de estufa.
Este é um lugar de raízes que rasgam o solo e de ramos que desafiam o inverno, porque a beleza que aqui reside não é um acaso, mas o resultado de um diálogo constante entre o espírito e a matéria. Recorda, antes de percorreres estes versos, que a colheita é a resposta da vida à coragem da mão que planta; pois o horizonte, por mais amplo que seja, só pertence a quem se atreve a caminhar em direção à sua própria luz.
* * *
Não há fechaduras na terra do nunca,
apenas horizontes que se multiplicam
sob o peso das minhas doze dimensões.
A tecelã dos sonhos sorri.
O fio do seu novelo teceu o mapa
do desdobramento do destino
de onde recebi o meu fragmento da hora azul.
E a minha pele sabe a silêncio.
Sabe a início.
(A Hora Azul-2. Pág.25)
| ISBN | 9789895666188 |
|---|---|
| Ano | 2026 |
| Número de páginas | 60 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Colibri |
| Categorias |
Livros > Literatura > Poesia
Maria Manuela Henriques
Maria Manuela Henriques nasceu em Lisboa no ano de 1966. Possuidora de uma forte sensibilidade, começou a escrever poesia, ainda adolescente, sobre o que os seus sentidos captavam das suas vivências e memórias. |


Reviews
There are no reviews yet.