que o prepara para uma tal viagem.
Como parece inevitável, O Monte Análogo é a manifestação de uma relação ambígua com a grande tradiçãoda viagem ocidental presente na Odisseia ou n’Os Lusíadas, para dar alguns exemplos seminais. Ela perpassa notexto, mas é constantemente objecto de uma translaçãoonde a própria percepção cosmológica muda progressivamente de figura. Evidentemente, Daumal não será oúnico poeta do século XX a captar a difícil posição daquele que sonha partir.
[Jorge Leandro Rosa]| ISBN | 9789895680382 |
|---|---|
| Ano | 2022 |
| Número de páginas | 160 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Documenta |
| Categorias |
Livros > Literatura
René Daumal
René Daumal (Boulzicourt, 1908 – Paris, 1944) foi escritor, poeta, ensaísta e tradutor. Aos 6 anos é assaltado pela ideia de morte e pela angústia do absolutamente nada. Estas preocupações não lhe oferecem tréguas, e no início da adolescência, vê-se diante de outro dos seus maiores terrores: o desconhecido. Durante esta época leva a cabo um variado número de experiências numa tentativa de compreender a morte, os estados do sono e os diferentes níveis de consciência. Com estasexperiências intui um outro mundo onde o pensamento supera os limites da linguagem discursiva. Em 1927 funda com Roger Gilbert-Lecomte, Roger Vaillant e Robert Meyrat, o movimento de investigação literária e filosófica Le Grand Jeu. Deste movimento surge uma revista com o mesmo nome, e na qual Daumal edita os primeiros poemas e ensaios. Logo no primeiro número o grupo manifesta a intenção de colocar todas as coisas em questão e de acreditar em todos os milagres.Daumal afasta-se do movimento Le Grand Jeu por volta de 1931, ao conhecer Alexandre de Salzmann, que lhe apresenta a escola do famoso «taumaturgo» e mestre espiritual Georgi Gurdjieff. O seu pensamento místico e modelo de conhecimento esotérico cativaram-no imediatamente. Grande admirador de Alfred Jarry, dedica-se à «ciência das soluções imaginárias e das leis que regulam as excepções» e «ao que está acima do que está além da física», publicando, entre 1934 e 1935, diferentes escritos patafísicos. Em 1936, é aclamado pela crítica com o livro de poesia O Contra-Céu. |


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