A literatura colonial, para muitos uma «pseudo-literatura» ou uma literatura «imoral», possui uma clara importância estético-literária e cultural, uma vez que é tributária de toda uma tradição que, de um modo mais ou menos marcado, tem regido as principais redes das relações de identidade e de alteridade ao longo da história da humanidade — os helénicos e os «bárbaros», os cristãos e os «pagãos», os muçulmanos e os «infiéis», os civilizados e os «primitivos» ou «selvagens», os desenvolvidos e os «subdesenvolvidos».
Império, Mito e Miopia – Moçambique como Invenção Literária permite não necessariamente reabilitar ou legitimar a literatura colonial — não é esse o objetivo —, mas tão-somente compreender, problematizando, a especificidade de um modo de (re)inventar mundos, segundo uma lógica alicerçada numa pretensa supremacia cultural, ética e civilizacional. O imaginário dominantemente representado pela literatura colonial ainda subsiste e leva-nos a falar numa colonialidade intemporal e proteica, em exercícios permanentes de travestimento representacional seja ele literário ou extraliterário. O presente que hoje vivemos, nesta globalidade difusa, desequilibrada e inquietante, não faz mais do que confirmá-lo.
| ISBN | 9789722133746 |
|---|---|
| Ano | 2026 |
| Número de páginas | 400 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Editorial Caminho |
| Categorias |
Livros > Literatura
Francisco Noa
Francisco Noa nasceu em 1962, em Inhambane (Moçambique). É doutorado em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa pela Universidade Nova de Lisboa. Ensaísta, crítico literário e professor em universidades moçambicanas e no estrangeiro. Investigador associado na Universidade de Coimbra, em Portugal. Foi diretor e investigador do Centro de Estudos Sociais Aquino de Bragança (CESAB), em Maputo. Foi, entre 2015 e 2020, reitor da Universidade Lúrio, em Moçambique. Foi Prémio BCI de Literatura de 2015. Tem feito parte de júris nacionais e internacionais, foi membro do júri do Prémio Camões e do Prémio Oceanos. |


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