D. João VI foi um dos monarcas portugueses mais controversos da época Contemporânea. Exerceu o poder em três períodos sucessivos. O primeiro, a partir de 1792, quando a rainha D. Maria I foi considerada incapaz de assegurar as suas funções, em que passou a governar, de facto, embora sem estatuto de regente. O segundo período, começa em 1799; perante a irreversibilidade da doença da rainha, D. João assumiu o título de Príncipe Regente. O terceiro começará do outro lado do Atlântico, após a morte de D. Maria I, em 20 de Março de 1816. Subirá então ao trono, com o nome de D. João VI.
O tempo em que governou, corresponde a uma época de grandes transformações e desafios, a nível nacional e internacional, no dealbar de uma nova Europa na sequência da Revolução Francesa. Com um curto intervalo, em 1802-1803, a guerra entre a França e os seus inimigos, iniciada em 1793, prolongou-se até 1815. Portugal participou no conflito, que provocou a transferência da Família Real para o Brasil, em 1807, com todas as consequências daí decorrentes, a mais relevante das quais será a independência daquele território, em 1822. Durante os 34 anos de governação de D. João, Portugal esteve envolvido em diversos conflitos: Guerra do Rossilhão (1793-1795), Guerra das Laranjas (1801), Invasões Francesas/Guerra Peninsular, com prolongamento em território espanhol e francês (1807-1814); na América, a invasão e conquista da Guiana Francesa (1808-1809); as campanha da Cisplatina (1811-1812 e 1816-1820); em Portugal, os movimentos de contestação à Constituição, em 1822-1823,com acções bélicas em 1827, prenunciadoras da Guerra Civil.
Para além das questões políticas e das influências externas, com as tentativas de afirmação de uma corrente liberal, plural e contraditória, perante a resistência absolutista, ocorreram iniciativas de modernização e de adequação do Exército Português aos novos tempos, em diversas dimensões, da organização ao recrutamento, da logística ao ensino e instrução, do fardamento à definição tática e estratégica. Sem esquecermos um local físico, que faz a ligação entre D. João VI, o Exército e a actualidade: o Palácio da Bemposta; ali viveu, antes da partida para o Brasil, ali voltou após o regresso, e ali morreu, sendo ainda cenário de alguns acontecimentos políticos, como a tentativa de golpe de Estado da «Abrilada», em 1824. Nesse edifício, o marquês de Sá da Bandeira instalou, em 1851, a Escola do Exército, hoje Academia Militar.
É o que procuramos transmitir neste livro, privilegiando a relação entre D. João VI e o Exército.
| ISBN | 9789895910274 |
|---|---|
| Ano | 2025 |
| Número de páginas | 150 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Âncora Editora |
| Categorias |
Livros > Ciências Sociais e Humanas > História
António Ventura
Professor Catedrático Emérito da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi Director do Departamento de História, do Centro de História da Universidade de Lisboa e da Área de História da Faculdade de Letras de Lisboa. Académico de Número da Academia Portuguesa da História. Sócio efectivo da Academia de Marinha (Classe de História Marítima). Fez conferências e participou em congressos científicos em Espanha, França, Itália, Suíça, Luxemburgo, Estados Unidos da América, Canadá, Macau, China, Polónia, Bélgica, México e Rússia. Desenvolveu uma intensa actividade por ocasião do Bicentenário da Guerra Peninsular e do Centenário da Proclamação da República, tanto em matéria de publicações como na participação em congressos e conferências. É autor de uma vasta bibliografia sobre História Contemporânea, com mais de três centenas trabalhos publicados. Tem colaboração em diversas publicações periódicas nacionais e estrangeiras. |


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