«É verdade mesmo. E agora?
Nobre povo, nação valente!
Infelizmente não posso ir lá tão depressa. Estou, além do mais, num cansaço interior muito estranho. A gente, de repente,ter que acreditar de novo na nossa gente! […]
Dá-me um abraço, nós precisamos fazer força e ficar orgulhosos. Aconteça agora o que acontecer, o troço é irreversível.»
Fernando Lemos, 3 de Maio de 1974
«De repente, veio a notícia de novo golpe, e triunfante. E, logo depois, as notícias (e os jornais não deixam lugar a dúvidas) de que o golpe é realmente, em marcha, a revolução que sempre desejámos. Isto devia dar-me uma alegria imensa.
[…] Dá-me igualmente a sensação de que, na verdade, o nosso sacrifício foi ainda pior do que tão amargamente nospesava, e é feito de um “exílio”que, agora, vai ainda ser maisduro por parecer injustificado.Não é tanto o ter de acreditarna nossa gente que renasce(no fundo nunca deixámos deacreditar), como o sentirmosque, no momento da liberdade, nós somos restos mortaisde outro tempo que já não éeste. E isto dói como o diabo.»
Jorge de Sena,
9 de Maio de 1974
| ISBN | 9789895680344 |
|---|---|
| Ano | 2022 |
| Número de páginas | 376 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Documenta |
| Categorias |
Livros > Literatura
Fernando Lemos
Fernando Lemos: criação cem por cento lisboeta. Marinheiro – um poema em cada porto. Coração escaldante, pena de atleta. Sem poesia de que nos serve o corpo? |


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