«Tenho-me perguntado quala forma certade procurar o amor.»
Pedro Reis Colaço abre-nos a porta em Comoacabar as coisas, às contemplações einquietações do sujeito poético num mundo quepoderia ser o nosso, não fossem as referências aoutras realidades invisíveis aos olhos do cidadãocomum. Dividido em poemas de versos curtos etrechos quase diarísticos, o livro explora a buscapelas sensações mais desejadas pelo ser humano,como o amor, busca essa por vezes interrompidapelos obstáculos mais básicos e inevitáveis.
O título do livro é uma sentença, um imperativo:Como acabar as coisas, título que insinua umacontradição, posto que Pedro Reis Colaço começaagora o seu percurso de poeta que se publica.
Começando a vida da poesia, não se pretendeacabar com essa vida.
Como assinala o coordenador da colecção, o poeta e crítico literário António CarlosCortez, em seu prefácio, “Acabar é, neste livro, uma outra coisa: começar, até porquetudo o que acaba é um modo de começar e talvez só verdadeiramente se comecealguma coisa quando acabamos outra. Mas este título, na sua sentenciosa maneira de seapresentar, arrasta para dentro do campo das indecisões, como inúmeros poemasmostram, um problema de dimensão terrível e que a poesia, nem mesmo com Rimbaudou com Breton, com Artaud ou, antes destes, William Blake, logrou resolver: se paraacabar é necessário ter coragem para cortar com qualquer facto (ou conjunto de factos),então todo o poeta, na sua extrema fragilidade e na sua extrema força, será o que, detodos os homens, está sempre mais perto de saber como acabar e como começar.
“Ouço rumores de uma/ cidade por cujas/ ruas desfilam trovões/ Sinto nos pés/ a terra
arrepiar-se/ Inspiro um ligeiríssimo odor a/ areia e sangue/ Vou comprar/ laranjas
porque/ me sinto/ engripado/ aproveito e trago/ champô/ (…)”
Pedro Reis Colaço inicia aqui a sua obra com um livro que podendo ser lido de umfôlego, pede para ser saboreado.
| ISBN | 9789898938909 |
|---|---|
| Ano | 2021 |
| Número de páginas | 76 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Gato Bravo |
| Categorias |
Livros > Literatura > Poesia
Pedro Reis Colaço
Pedro Reis Colaço nasceu em 1991, em Lisboa, onde ainda mora. Frequentou as Faculdades de Belas-Artes e Letras, e uma escola de cinema no Rio de Janeiro. Morou também, por breves períodos, em Bolzano, Itália, e Lyon, França. Um dia, quando passava certo vale na Bahia, cruzou caminho com uma bruxa. Tinha olhos pretos e fundos e ao caminhar cantava, assustando-se por vezes com os passos de um camaleão gigante. Chamava-se Natália. Quando anoiteceu, na margem de um pequeno rio, fumou os seus braços e tronco com incenso e sussurrou numa língua desconhecida, sibilante, uma língua de aranha. |


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