Selecção, tradução e introdução de João Barrento.
«Esta é uma antologia pessoal, acidental e intencional, que espelha a minha relação com a Obra de Brecht desde os anos sessenta do século passado, essencialmente através do teatro, visto e lido, e das solicitações que a partir de certa altura me iam chegando para traduzir canções e poemas seus, que integravam as peças encenadas ou acompanhavam os respectivos programas. Mas o impulso para a tradução dos poemas foi também nascendo no contexto de aulas, ateliers de tradução de poesia, recitais (por exemplo de Jorge Palma), ou da edição de grandes antologias de poesia alemã do século XX.
E aí Brecht ocupou sempre um lugar de destaque como grande espelho do processo histórico desse seu, e meu, século de todos os desastres. Esta selecção representa a tentativa de organizar (com muitas traduções feitas agora) essa iluminação brechtiana das trevas dos tempos, das canseiras das montanhas e das planícies, a partir de uma poesia que nunca abdicou da sua vocação intrinsecamente interventiva.»
J.B.
| ISBN | 9789899154933 |
|---|---|
| Ano | 2026 |
| Número de páginas | 256 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Nanook |
| Categorias |
Livros > Literatura > Poesia
Bertolt Brecht
Bertolt Brecht nasceu na Alemanha, em Augsburgo, em 1898, filho de um industrial, estudou Medicina, e serviu na Primeira Guerra Mundial nos serviços de saúde. As suas primeiras peças de teatro importantes datam de 1922, e são violentamente expressionistas. Os seus poemas, misturando níveis de linguagem muito diversos, que o poeta trata ironicamente, e imitando canções de cabaret ou baladas populares, ou parodiando estilos ‘respeitáveis’ como o dos hinos religiosos protestantes, foram primeiro coligidos em Die Hauspostille (Livro de Devoções Domésticas, 1927). O uso de canções no seu teatro, pratica-o primeiro nesse ano em Mann ist Mann (Um Homem É Um Homem), e tornar-se-á uma das principais características das suas peças.Em 1928, a Dreigroschenoper (baseada na peça setecentista inglesa The Beggar’s Opera, de John Gay), com música de Kurt Weill, culminou a sua fase expressionista. Nesse ano de 1928, Brecht casou-se com a actriz Helene Weigel e aderiu ao socialismo e à literatura militante. Fugindo ao nazismo em 1933, primeiro para a Dinamarca e depois (1940-41), através da Suécia e da Rússia, para os Estados Unidos, neste país se fixou. Entretanto, desenvolvia a sua teoria do ‘teatro épico’, e compunha diversas peças de ataque ao nazifascismo. Em 1941, estreou-se em Zurique uma das suas maiores peças: Mutter Courage und ihre Kinder, que representa, com Galileu, o Círculo de Giz Caucasiano, etc., a sua fase final de dramaturgo. Em 1947, nos Estados Unidos, onde continuava, foi visado pelo furioso anticomunismo macarthista, e chamado a depor ante a Comissão de Actividades Antiamericanas, do Senado. Voltou então à Europa (Zurique), e nos fins de 1949 fixou-se em Berlim Leste, quando aí se fundou a célebre companhia Berliner Ensemble (com a sua mulher como primeira figura), para exemplificar os seus princípios do Teatro Épico. Em 1950, continuando a viver em Berlim Leste, Brecht naturalizou-se austríaco, e na capital da Alemanha Oriental morreu em 1956. Considerado um dos maiores dramaturgos do século XX, Brecht foi também um grande poeta, quer na poesia que escreveu a vida inteira, quer nos poemas que intercalou — como outros passos em verso — nas suas peças; e, em alemão, a sua importância e influência como poeta veio, com Trakl e Benn, a transcender a de Rilke.” [Jorge de Sena]
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