Neste romance de grande densidade moral e rara inteligência literária, D. H. Machado acompanha um homem que regressa aos papéis do pai e descobre, no interior de um arquivo doméstico, não apenas uma história de família, mas uma linhagem política e verbal que atravessa o século XX e chega intacta ao presente. O que começa como uma investigação íntima depressa se transforma numa descida às zonas obscuras da relação entre linguagem e poder, império e responsabilidade, memória privada e violência histórica. Entre Teerão, Beirute, o Iraque, Gaza e o peso persistente do arquivo britânico no Médio Oriente, o romance interroga o modo como os Estados aprendem a falar da destruição sem a nomear por inteiro, e como essa prudência verbal se transmite, por vezes, de pais para filhos, de impérios para democracias, de documentos para consciências.
Mais do que um romance político, este é um livro sobre a gramática moral do nosso tempo. Com uma prosa lúcida, elegante e profundamente inquietante, D. H. Machado escreve um romance de revelação e exactidão, em que o passado não surge como uma ruína imóvel, mas como um mecanismo ainda activo no presente. Um livro sobre o que herdamos sem saber, sobre o que os arquivos escondem ao mesmo tempo que revelam, e sobre a possibilidade, sempre frágil, sempre necessária, de responder pela linguagem antes que ela volte a servir a destruição.
| ISBN | 9789899265707 |
|---|---|
| Ano | 2026 |
| Número de páginas | 220 |
| Capa | Brochada |
| Editora | The Poets and Dragons Society |
| Categorias |
Livros > Literatura > Prosa Narrativa
D. H. Machado
D. H. Machado, nascido em lisboa em 1974, é escritor e dramaturgo com uma obra que explora temas fundamentais como a memória, a identidade e o trágico, com um estilo marcado pela densidade poética e pela reflexão filosófica. Entre as suas obras de poesia, destacam-se Heathcliff e Eliot, este último uma resposta contemporânea ao clássico The Waste Land de T. S. Eliot. Escreveu ainda o romance Rach 3, um diário ficcional que narra o processo criativo e emocional de Sergei Rachmaninoff durante a composição de seu célebre Concerto no 3 em ré menor. No teatro, estreou-se com Lady Macbeth, uma peça que revisita a personagem shakespeariana, dando-lhe uma nova profundidade psicológica e mantendo a linguagem original da peça. Este Auto-retrato enquanto Hamlet é o primeiro livro de uma trilogia sobre o amor, a memória e o fluxo do tempo. |


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