Trinta anos depois da queda do regime de Pol Pot, que entre 1975e 1979 fez um milhão e oitocentos mil mortos no Camboja (umquarto da população do país), um sobrevivente tornado cineastaregressa à sua terra natal para confrontar compatriotas ecarrascos. A Eliminação (2012) é a autobiografia da infância deRithy Panh, testemunha do massacre levado a cabo pelos KhmersVermelhos, entrecortada pelos diálogos do realizador na cela deum dos maiores responsáveis pelo genocídio: o camarada Duch,director do campo de extermínio S21, nem demónio nem homembanal, um burocrata com memória selectiva que se esquiva àverdade para reconstruir a história e uma imagem de si.
Recusando fazer a Duch aquilo que este fazia às suas vítimas— isto é, privá-las da sua individualidade — e rejeitando os mitosda banalidade do mal e do povo que se exterminara a si próprio,Rithy Panh não renuncia nunca a ouvir, da boca do algoz, aspalavras que lhe devolvam a humanidade.
| ISBN | 9789726084068 |
|---|---|
| Ano | 2022 |
| Número de páginas | 240 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Antígona |
| Categorias |
Livros > Ciências Sociais e Humanas > Biografias
Rithy Panh
Cineasta feroz e controverso, aclamado pelos documentáriosS21 — A Máquina de Morte dos Khmers Vermelhos (2003) ouA Imagem que Falta (vencedor do Un Certain Regard em Cannes,em 2013), Rithy Panh (n. 1964) fez do seu percurso uma assombrosa cruzada pela verdade dos acontecimentos durante o extermínio do Kampuchea Democrático. Criança de onze anos quando os Khmers Vermelhos evacuaram Phnom Penh, em 1975, assistiu nos anos que se seguiram ao desaparecimento da sua família — pais, irmãos e sobrinhos pequenos, um a um, executados ou mortos à fome — e à aniquilação programada do indivíduo em nome de slogans e ideais. Refugiado e formado em França, debate-se toda a vida com a natureza do mal, a memória do terror e a gramática eufemística da carnificina, apontando a câmara a um povo amnésico de sobreviventes e torcionários que procuram reconstruir o país sobre ossadas e valas comuns. Com o editor e romancista Christophe Bataille, escreveu, além do presente volume, La paix avec les morts (2020).
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