1983 é título de uma instalação e performance evocandouma cena de rua, em noite chuvosa, numa zona de Lisboa porvezes chamada marginal no que a sexo diz respeito. Uma paragem de autocarro, dois homens sentados.
1983 é também o ano das primeiras notícias sobre SIDAem Portugal. Uma crise global revelou então – como hoje aemergência climática, a COVID ou o terrorismo de Putin – aeminente vulnerabilidade da vida e liberdade humanas.
A SIDA revelou também a homofobia estrutural que atrasou de modo criminoso as decisões políticas necessárias paraa enfrentar e desencadeou uma vaga de militâncias que hoje,quarenta anos depois, manifestam evoluções significativas naslutas anti-racistas, feministas e contra o totalitarismo heteronormativo, constituindo decisiva parte integrante da lutacontra as novas vagas com vocação neofascista (de Trump aBolsonaro).
Em Portugal, por razões históricas que se podem considerar evidentes (o longo período de ditadura política e a hegemonia das versões mais conservadoras da religião católica), não háuma linhagem explícita de «arte gay» (nem mesmo nos anos60) e muito menos uma presença significativa das temáticas edebates queer na área das artes plásticas.
O trabalho de João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira,além da relevância no campo específico da escultura/instalaçãoe dos «filmes de artista» – nomeadamente variações queer, oucamp, a partir de Moby Dick e Werther -, tem uma relevânciapolítica e ideológica que em Portugal podemos considerarexcepcional.
[Alexandre Melo]| ISBN | 9789895681099 |
|---|---|
| Ano | 2023 |
| Número de páginas | 332 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Documenta |
| Categorias |
Livros > Ciências Sociais e Humanas > Sociologia
João Pedro Vale
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