A História de Timor-Leste é necessariamente transnacional.
Acresce que contar uma História transnacional implica o desafio de a declinar de forma plural, transmitida pela pluralidade de actores – protagonistas, testemunhas,figurantes, observadores – e explicada pelas múltiplas perspectivas culturais quecontribuíram para a construir e que a fazem projectar-se no presente e futuro.
Actores que os autores bem cuidaram de entrevistar, para dar contexto, tempo, modoe voz/vozes aos factos e enredos que laboriosamente desenterraram dos arquivos.
Assumir a transnacionalidade – e, por consequência, a pluralidade, inclusive linguística de contar a História da autodeterminação de Timor Leste faz todo o sentido. E há muito que fazia falta: vem responder à necessidade de afirmar um entendimento coerente que explique a evolução não apenas de Timor-Leste, mas de todos os outros actores, como Portugal, a Indonésia, a Austrália, outros países europeus, os EUA e as Nações Unidas, interligando as muitas narrativas dispersas, fragmentadas, parciais, quantas vezes superficiais e deslaçadas relativamente ao processo de independência de Timor Leste.
Para além dos estudiosos da História e dos aprendizes da cidadania, é aos práticos dapolítica e da diplomacia que esta História da autodeterminação de Timor Leste muitopode aproveitar.
Ana Gomes
Embaixadora aposentada
| ISBN | 9789723619966 |
|---|---|
| Ano | 2023 |
| Número de páginas | 492 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Afrontamento |
| Categorias |
Livros > Ciências Sociais e Humanas > História
Zélia Pereira
Licenciada em História (Fac. de Letras, Lisboa, 1995) e Mestre em História Social Contemporânea (ISCTE, 1999), cedo se embrenhou pelo mundo dos arquivos, por onde se veio a doutorar (PhD Ciências da Documentação e da Informação, Évora, 2018). Ao longo dos anos, colaborou em vários projetos de investigação na área da História e da Arquivística. Foram precisamente os arquivos que a levaram um dia a aterrar em solo de Timor-Leste ao serviço da Fundação Mário Soares. Ali bebeu água de coco e, em respeito à boa tradição local, quis o destino que Timor teimasse em regressar a si – ou talvez porque, num final de tarde quente em Díli, entrelaçou parte do seu coração nas raízes de um gigante gondoeiro. E assim foi parar um dia ao CES da UCoimbra onde encontrou liberdade para continuar a estudar Timor, desta vez como investigadora no projeto ADeTiL. A autodeterminação de Timor-Leste: um estudo de História Transnacional. O livro que o leitor ora tem entre as mãos resulta do caminho percorrido durante os anos desse projeto, que teve um momento feliz quando o Prémio Aristides de Sousa Mendes 2022 da Associação Sindical dos Diplomatas Portugueses foi atribuído (ex-aequo) a um trabalho assinado em conjunto com Rui Graça Feijó (reproduzido neste volume). |


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