Uma coletânea de crónicas que observa a vida como quem escreve um livro:com o desejo de sempre voltar a escrever.
“Sabes, no fundo, isto é só mais um relato da vida
doméstica. Não trago mistério desvendado ou um
certo grau de lirismo aveludado. É o gato quem
melhor desvenda as provas do desleixo e do passo
mais cansado ou enferrujado. O cabide suporta o
peso dos aromas impregnados na roupa com que
escolhi sair. Algumas peças conhecem-se melhor
que outras, é claro, por estarem amontoadas lado a
lado. A camisa branca arregaçada é uma armadura
ao peito que se instala, para recordar que a paz não
gosta de estar tapada. A calça preta é introvertida,
porque quando a nódoa pinga, cala o que a camisa
exclama aos olhos de quem a pinta. E o sapato, de
igual tonalidade escura, depois de novo mais se cala
e muito dura, mas só se for engraxado com a mesma
nota de urgência que um buço tem de ser aparado.
Assim vislumbram estas peças as várias vezes que
são chamadas para camuflar um corpo nu.”
O livro Podes Sempre Usar Folhas de Rascunho reúneuma autêntica e envolvente coletânea de crónicasdo escritor João Pedro Duarte.Depois de publicar Carta muito pessoal de um recluso Covid-ativo e Há pressa no cais, estelivro evoca uma narrativa emocionante lembrando que a vida é art in progress e quepodemos sempre começar de novo.Ao atravessar espaços físicos e emocionais, o cronista partilha as suas paixões, laçosafetivos, intervenções sociais e criações artísticas, sempre com um toque de dedicaçãoprofunda. Com João Pedro, embarcamos numa viagem por diversas paragens, onde anostalgia e a saudade se cruzam com a observação minuciosa do que nos rodeia.O cinema, a literatura e a música, suas grandes influências culturais, surgem como panode fundo e acrescentam uma dimensão visual e poética às palavras. Com as influênciasliterárias de Ondjaki, Adriana Lisboa e Eduardo Lourenço, sobressaem os detalhes quemarcaram a sua vivência, transformando estas crónicas em autênticas cápsulas dememórias, que convidam o leitor a também revisitar os próprios sentimentos.Ao fim do livro, João Pedro Duarte presenteia-nos com uma playlist no Spotify, umapreciosidade feita a partir do livro, em que podemos navegar junto com ele por entre sonse palavras.
| ISBN | 9789899069633 |
|---|---|
| Ano | 2025 |
| Número de páginas | 194 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Gato Bravo |
| Categorias |
Livros > Literatura
João Pedro Duarte
O primeiro nome podia ser segundo, terceiro ou o reverso. Lembraram-se de fazer assim. João é só João, ao passo que os outros dois nomes carregam gerações e gerações às costas. Licenciado em Gestão Turística, viaja ao lado dos que não menosprezam avanços e recuos. No carro, juntamente com quem aceita entrar, vai descobrindo que, afinal, até a árvore mais cabisbaixa do mundo dá frutos. A literatura e o cinema acompanham-no desde sempre. A vida tem sido a gravação espontânea de um filme; o rascunho que se vai riscando e reescrevendo. O João mete a primeira mudança outra vez. O homem dos jornais fica para trás, e a vigem continua na maior das suavidades. E o calhambeque guia-o em direção ao horizonte. O pôr do sol está já ali. A cada dia, a cada passo, a cada mudança, a cada viagem, o João vai descobrindo o segredo do Lucky Luke. |


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