Um livro onde Carmen e Lokis surgem reunidos pode não ser mais do que a associação de dois pontos altos na série decontos e curtas novelas que se fizeram o essencial na obra literária de Prosper Mérimée; mas reúne, além disto, duas histórias--pretexto; ou seja, em Carmen a oportunidade de uma dissertação sobre omundo e os hábitos dos ciganos ibéricos; em Lokis um fantástico de escabroso subentendido que recupera e transtorna uma lenda da tradição eslava, aqui deslocada até à Lituânia como pretexto para uma reflexão sobrea estranha língua samogítica que Mérimée designa no texto com a formapopular jmud.Mérimée nasceu em Paris no mês de Setembro do ano 1803; o seupai, pintor de quadros banais, tinha o curioso nome de Léonor Mérimée;
a sua mãe anglófila, culta e autoritária, dominou o filho com uma possessiva relação edipiana e durante toda a vida incitou-o à prudência de umcelibato que ele temperou com relações cuidadosamente desviadas da vigilância materna. «Não podes confiar nas mulheres» — dizia ela, cautelosaao ponto de mandar gravar-lhe num anel uma variante mais vaga domesmo conselho: «Lembra-te de que deves desconfiar», uma frase que surgia no aro de ouro em minúsculas letras gregas e se reduzia, na gramáticapessoal de Madame Mérimée, aos perigos de convivências mais íntimascom o elemento feminino.
[…]Mérimée, um dos românticos mais corajosos e marcantes da sua geração,teve de J. Barbey d’Aurevilly esta curiosa frase: «Talento brilhante e negrocomo a Espanha que ele pintou, e com um refinamento que chega à malvadez. Há Goya em Mérimée.»
[Aníbal Fernandes]| ISBN | 9789895681129 |
|---|---|
| Ano | 2023 |
| Número de páginas | 160 |
| Capa | Brochada |
| Editora | Sistema Solar |
| Categorias |
Livros > Literatura
Prosper Mérimée
Escritor francês, nascido em 1803 e falecido em 1870, estreia-se na literatura com uma recolha de contos “da autoria de uma actriz espanhola” que lhe dá uma certa notoriedade, confirmada com Guzla (1827). Paralelamente a uma carreira na administração pública, escreve Colomba (1840), Carmen (1845) e L’Abbé Aubain (1846). |


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